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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Não parava de chover ...

.
Hoje eu acordei gostando mais de mim
Vou cair fora numa boa
Então fica assim
A gente se encontra outra ocasião.
 ( Jorge e Mateus )



Assim estava a quarta-feira em que me despedi de você .. Malas prontas, passagens na mesa , taxi esperando na entrada do prédio. Lágrimas incontidas desciam pelo meu rosto como cascatas. Tentamos, nos esforçamos, mas não deu. Talvez nós vivemos tudo rápido demais. Ou quem sabe não o suficiente pra entender as diferenças. As fotos na estante, mostrando sorrisos e momentos de amor estavam agora embaladas numa caixa qualquer. No quarto, o lado esquerdo do roupeiro encontrava-se com apenas alguns cabides vazios. Só o amor que ficou. Esse continuava no meu coração.

[...]

Passos na escada, a chave girando a fechadura. Me virei e encontrei você completamente ensopado, parado alguns passos após a porta.

- Eu pensei que você não fosse mais estar aqui. – Disse.

- Eu decidi esperar você, pra me despedir do jeito adequado. Dizer algumas coisas que talvez eu devesse ter falado há muito tempo. Olha, eu sei que as coisas foram difíceis. Nós éramos muito jovens. Fizemos um mundo de sonhos e nossa relação infelizmente não se encaixou bem nesses planos. Eu imaginava que nossos projetos envolviam uma vida partilhada por dois, assim como nossos problemas poderiam ser resolvidos. Mas não foram. Seu individualismo e minhas cobranças nos sufocaram. Talvez isso que esteja acontecendo seja uma chance pra mostrar que no futuro nós possamos nos acertar. Mas hoje, eu não nego que sua ausência vai me tranquilizar. Eu vou conseguir encontrar meu eixo de novo. E espero que assim como eu você também possa mudar e perceber aquilo que deixamos perder.

As palavras saíram como uma enxurrada levando tudo que estava guardado comigo. Ao olhar pra você, me surpreendi. Seus olhos estavam marejados. A máscara que você criou finalmente se desfez e eu pude perceber no seu semblante que você também estava sofrendo com isso. Um pouco tarde, mas ainda assim me impressionou. As palavras a seguir me mudaram também:

- Eu sei o quanto você esperou. Mas infelizmente eu não correspondi as expectativas. Sempre prezei meu espaço. Só não percebi que com você eu criei um abismo que nos prejudicou. Mas eu também esperei de você. Esperei que você entendesse que eu não sou como outros caras que você era acostumada. Eu até tentei... Mas não dava. E minha decisão de ir, foi pra salvar a gente um dia. Um outro momento, a cabeça mais fria. E não está sendo fácil. Desde que decidi ir pra Inglaterra, acreditei que essa era uma forma de ficar afastado e melhorar as coisas. Mas a idéia de ir .. e deixar você .. Ainda me parece errado. No entanto é o que eu escolhi e como você mesma disse, eu também quero encontrar meu eixo de novo.

Chegou mais perto, me abraçou e disse adeus. As lágrimas continuavam a descer pelo meu rosto. Afundei minha cabeça em seu peito e inalei uma última vez seu perfume. Quando nos separamos, você pegou as malas, guardou as passagens e se foi.
A chuva lá fora estava mais forte. Dei umas voltas pelo apartamento, fechei as janelas, apaguei as luzes e fui embora. Me sentia mais leve. O coração mais brando. Não importa o quanto dói lembrar do que aconteceu. Assim é a vida. Vida que segue.

Ps: Esse capítulo acabou. Mas as surpresas, quem sabe, ainda estão por vir . 

domingo, 27 de maio de 2012

Amante.

"Mau,com efeito, é o amante vulgar que prefere o corpo ao espírito, 
pois seu amor  não é duradouro por não se dirigir a um objeto que perdure. 
A flor do corpo que ama vem um dia a murchar - 
e então ele 'se retira ligeiro como asas'
 esquecendo-se das declarações e muitas juras que fez " .
(Platão)



Novamente, eu faço aquilo que prometi que nunca mais faria. Você agora está no banho e eu aqui, jogada mais uma vez entre lençóis úmidos e uma mistura de perfumes baratos. Há algumas horas atrás você veio ao meu encontro, como tem acontecido há 3 anos, em busca de uma noite que o faça esquecer dos problemas. Antes você trazia uma garrafa de vinho, escolhia um dos meus cds e depois me levava com promessas de um futuro a dois sem nenhuma interferência. Hoje, nossa relação é puramente física, gemidos, sussurros e prazer momentâneo. Eu digo que é o fim, que “por favor não volte” , mas não adianta. Mais dia menos dia você volta. Aperta a campainha do meu apartamento e quando abro a porta, fica me olhando de um jeito que eu sempre acredito precisar de mim. Minutos depois, seu corpo está sobre o meu, quente e impaciente me fazendo esquecer do resto. Novamente, eu faço aquilo que prometi que nunca mais faria. Você agora está no banho e eu aqui, jogada mais uma vez entre lençóis úmidos e uma mistura de perfumes baratos.

sábado, 26 de maio de 2012

E quantas vezes eu desejei que fosse verdade?


É incrível quanto tempo passamos juntos e ao mesmo tempo tão longe . Estudamos na mesma escola , nas mesmas turmas desde o infantil. Sentávamos na mesma mesa de lanche na hora do recreio, fizemos as mesmas aulas de laboratório, participamos da mesma peça teatral todos os anos. E mesmo assim, você nem sabia quem eu era. Eu ainda me lembro de cada machucado seu, de cada gol marcado nos campeonatos intercolegiais... Eu estava presente nesses momentos vibrando e querendo você em silêncio. Sua casa era em frente à minha e às vezes eu ficava horas e horas sentada na janela só pra ver você passar. Mudava o cabelo, passava mais maquiagem, usava roupas chamativas... Só pra você prestar atenção em mim... Mas do contrário, você nunca me notava... O colegial acabou e eu esperei que num lapso de sorte você me convidasse para ser seu par (mesmo que eu fosse sua última opção). Como sempre, não aconteceu.

Decidi virar a página, te esquecer e seguir em frente .. Não se pode perder o que nunca se teve não é? Fui pra faculdade de Direito e me formei com honras e louvor. Nunca mais soube de você. Nunca mais procurei você.


[...]

Voltei dos meus devaneios com o som dos autofalantes do aeroporto. Meu voo sairia em 20 minutos. Levantei atordoada e “catei” minhas malas até o portão de embarque. Na pressa, acabei esbarrando em outro passageiro. Ao ver de quem se tratava, pensei que o choque havia afetado minha sanidade mental!  Mas não havia confusão .. Os olhos, o sorriso de criança, as feições mais lindas ... Eu nunca esqueceria o rosto que mais visitou meus sonhos de menina .. Era você!
No mesmo instante percebi uma outra presença ao seu lado .. Uma mulher linda, aparentando não ter mais do que 25 anos .. Não precisei de mais nenhuma observação para entender do que se tratava.

- Desculpe, senhorita!
- Não se preocupe, estou bem.. – Respondi ..
- Nós já não nos vimos antes? Seu rosto me parece familiar.  

Talvez fosse pelo momento, talvez fosse pela situação... Na hora que ouvi essa pergunta eu compreendi a razão de alguns fatos. Eu perdi tanto tempo esperando por uma chance, sonhando e imaginando, que acabei esquecendo o fato de que você nem sabia que eu existia. Eu só me fiz presente em sua vida dentro das minhas fantasias infantis. Finalmente eu entendi que certas coisas não saem do jeito que a gente quer. Finalmente eu entendi que você só existira na minha memória. Mas na sua, nunca houve um espaço pra mim.
Respirei fundo e disse:

- Creio que não. Somos estranhos em meio ao acaso de lugares iguais e rumos diferentes. Se nós nos conhecêssemos você certamente lembraria de mim.. Preciso ir agora. Boa viagem... !
- Oh... Boa viagem pra você também e desculpe pelo esbarrão. – Disse.

Olhei você pela última vez e fui embora. Não me senti triste por me afastar de você. Não senti vontade de olhar pra trás.


Pela primeira vez, foi você quem me viu partir.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Você olha pra mim, mas não me vê ..



Eu queria poder dizer que você não mexe mais comigo...
Que sua presença não me inibe, seu olhar não me prende mais e que eu não penso mais em você
Queria.
Queria poder olhar pra você e sentir só a felicidade de uma boa e velha amizade compartilhada, não sentir mais as "borboletas no estômago" toda vez que ouço sua voz ...
Eu queria olhar pra você e pensar só nos risos, nas brincadeiras, na molecagem de uma relação saudável entre amigo x amiga. Queria que minha vontade de te abraçar fosse só pelo carinho e não pelo amor que ainda tenho em mim.
Queria.
Queria não sentir ciúmes toda vez que vejo você interessado em outra pessoa e conseguir me interessar por outro alguém, também.
A verdade é que eu QUERO te abraçar de novo, olhar pra você e fazer você me ver. Me ver mais que uma amiga, me ter como mulher....  Me olhar como eu olho pra você ...


Ps : Eu continuo aqui, vivendo de lembranças e esperanças suas, desejando que futuramente possam ser atendidas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Semeando


Alívio. O coração bate compassivamente no ritmo da vida e o ar agora é de intensa tranquilidade. É chegada a época da semeadura. Plantar as mudas do amor e regá-las com bastante atenção e cuidado. Preservar os bons sentimentos, afastando as pragas da indiferença e indelicadeza que ficam à espreita, esperando por um único momento de distração. Fazer crescer a esperança e o otimismo muitas vezes perdidos em tempos de medo e tristeza. Cuidar com paciência é essencial à estação, bem como aprender a estender a mão num gesto de caridade. Na hora da colheita você saberá que caminho continuar seguindo e os frutos colhidos serão a promessa de uma nova era.  

Ps : O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória .

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Estrelado.

Me basta agora uma noite de estrelas
Uma brisa quente de verão
O doce do beijo nos lábios
E o amor prometido dentro do meu abraço .


Sarah,



23 de novembro de 2001...

Pra você que dividiu o mesmo céu comigo naquela noite...

Ainda sinto o vazio que ficou, desde a sua partida. Ainda dói pensar como a vida pode mudar e tomar rumos totalmente inaceitáveis quando tudo parece correr bem. 
Certo dia estava mexendo num armário antigo e encontrei, dentro de um livro velho, uma carta sem destinatário... De início eu pensei que fosse só uma carta minha para mim mesma, como costumava fazer quando adolescente para desabafar meus problemas. Ao abrir o envelope, uma foto e um papel azul caíram no chão. Quando abaixei para recolhê-los, hesitei quando vi a foto. Ela mostrava um casal na areia da praia apontando para o céu. Peguei a foto e o papel e sentei na cadeira próxima à porta. Ao abrir o papel reconheci a letra e soube que era destinada a mim. Era uma carta sua. Senti seu leve perfume amadeirado, o que você mais usava e que deixava nas coisas que você tocava, o aroma impregnado. Senti uma ferida antiga reabrir dentro do meu peito. Só percebi que estava chorando quando as lágrimas molharam a carta... 
Você escreveu o porquê do fim, ainda dizendo que me amava do mesmo jeito, desde quando me viu a primeira vez naquele luau na praia, em que ficamos deitados sob o céu estrelado e o qual eu não parava de repetir que era “o mais lindo de toda a minha vida”. As lembranças me tomaram como um choque. Meu coração parou de bater quando li as últimas linhas:                                                                                      
                           


“E mesmo assim, não esqueça que eu amei você antes mesmo de te conhecer e ainda que tão longe acredite que esse amor continua vivo, me lembrando que a outra parte de mim ficou com você. Sempre seu,  
              John S,
18 de julho de 1970. 
Resolvi então, escrever esta pra você ...  
Pra  dizer que não te esqueci. Que desde o fim daquele verão , eu nunca mais consegui sorrir à toa como fazia quando estava com você. Que nenhum homem me fascinou tanto quanto você, que nenhum beijo foi melhor que o seu ... Ao ler sua carta, meu coração pediu você de volta... Depois de 31 anos eu achei o pedaço de você ainda perto de mim ... A carta que eu tanto esperei naquele ano...Quantas vezes eu fui dormir imaginando você à minha porta com a mochila de viagem dizendo que voltou pra me levar à praia e ficar lá o dia todo, esperando a noite chegar para contar as estrelas.   
É eu sei, o passado não volta mais. Ao ler sua carta eu tive a certeza que você foi uma das melhores coisas da minha vida, e agora eu não preciso mais ficar com medo de perder uma coisa que nunca vai acabar. O NOSSO sentimento. Obrigada por me ensinar a amar, por me mostrar o bom de partilhar, de cuidar e guardar com carinho no coração, momentos que nunca serão esquecidos. E além de tudo: 
Obrigada por me ensinar a apreciar a beleza de um céu estrelado. Através dele , eu estarei sempre com você.
Sarah R. 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Únicos.





Eu sinto falta das tardes sabe?
De nossas ligações
De nossas bobagens
De nossas brigas.


Eu sinto falta do colo.
Das incontáveis vezes de resenha numa casa no meio do mato, dentro da cidade. 
Do amor. Do cuidado.
Eu fui e deixei uma parte lá. Não só na casa, não só na cidade. Mas em vocês.


Eu plantei sentimentos em vários jardins.
Em muitos deles esse sentimento morreu... Faltou o querer. Faltou a importância.
Ficaram lembranças. Só as melhores, pra levar no coração.


Em outros, porém, o sentimento vingou, deu maravilhosos frutos.
E eu os colho até hoje.
Colho carinho, afago, zelo e certeza. Certeza que é forte. Certeza que é inquebrável. Certeza que AMIZADE, também é AMOR.


Dedicado às minhas coisas lindas, meus maiores dengos, os meus melhores, o meu ARDL².


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sabe,



às vezes eu desejo que você seja real...


Que ao invés de só morar em meus sonhos, você seja tão vivo como eu ;
Que ao invés de ser minhas vontades, você seja minha certeza ;

Pensar em você é uma saudade que não tem nome, não tem explicação. É sempre ter um vazio no coração e o frio ao lado da cama. É como se sempre faltasse uma parte. Toda noite eu fecho os olhos e deixo você me encontrar. De repente eu sinto seu abraço e seu perfume único, o cheiro de lavanda e ar puro. Sinto seu corpo quente me protegendo e seus lábios roçarem a parte de cima da minha orelha. Ouço sua voz suave me acalmando e dizendo que eu vou ficar bem. Então você beija minha testa e diz que precisa voltar. A tristeza me invade te peço pra ficar mas já é tarde. Você se foi. Agora o calor do abraço virou frio e no lugar da sua voz, ouço o silêncio. Mais uma uma vez foi um sonho. Você não estava aqui. Nunca esteve.

E mais uma vez , mais uma vez , me pego esperando que você  seja minha realidade .

sábado, 16 de abril de 2011

Era Uma Vez .. ?


[...]


- Então, me mostre teu céu e diga que me levará com você pra sempre. Ela gritou.
- Não tens medo ? Disse ele.
- Medo ? Eu escolhi viver sem ele, aproveitando todo dia como se fosse o último, lutar pelo que sempre quis, nunca olhar pra trás ..
- Não sentirás falta desta jornada ?
- Talvez . Talvez eu sinta saudade das muitas pedras que me fizeram cair durante todo trajeto.
- Não entendo. Ele disse.
- Sim, as pedras! Afinal com tantas quedas eu aprendi a me reinventar. Um novo dia, uma nova história.. Que as pessoas passem a encarar a vida assim: De peito aberto, buscando nas suas fraquezas uma força de vontade maior que os obstáculos impostos pelo destino, que aliás é traçado em atitudes e gestos que cada um leva consigo e com o mundo .
- Fica comigo então ? Ele disse .
- Não há nada nesse mundo que me faça desistir . De tantas frases pensadas e mensagens não-ditas eu opto por seguir a loucura. Eu escolho o coração. Viver feliz, ser minhas vontades e respirar paz. Vamos ?


[...]

E juntos, do seu mundo aprenderam a  ser únicos . E se assim for, creio ser um final feliz .

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Enfim...


Aquele gosto outrora amargo tornou-se inerente. Não deixou de ser amargo, mas passou a ser costumeiro.De certa forma, não importa mais. Resolvi apenas trancar tais sensações em um baú esquecido num canto afastado do músculo pulsante. Há muito desisti de tentar resolver as coisas simplesmente através do tempo, que aliás, não é o senhor de todas as curas como dizem por aí. Simplesmente ele abasta a inquietação da saudade, da vontade e as tão insuportáveis lembranças. Ele só mostra que mais dia menos dia, você acaba encontrando uma nova rota para deixar de lado tudo isso. Um trabalho novo, uma atividade diferente, novas pessoas e infindáveis ocupações para a mente. E daí, eis que um belo dia aquele “problema” já não o abala tanto... A verdade é que muitas vezes depositamos todas as nossas confianças e expectativas em planos e sonhos que nem sempre dão certo, tanto pelas circunstâncias diárias quanto ao suposto mero “acaso”. Mas cabe a cada um escolher por quais realmente quer sentir o tal gosto amargo, adaptando-se a ele e esperando a solução com o TEMPO, ou deliciar-se com o sabor doce das tantas lições que a vida nos ensina.


Como diria uma grande amiga: FICA A DICA*

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Só um Sonho ?


Não conseguia me lembrar a última vez que havia sentido aquilo. A garganta fechando-se num nó impedindo que eu gritasse por ajuda. Sentia minha cabeça girar no compasso em que um emaranhado de emoções e imagens percorriam a mente, acelerando cada vez mais minha respiração e as batidas inquietas dentro do peito..
Não consegui explicar. Foi como se uma força houvesse me dominado de todo e fizesse cada parte do meu corpo parar de reagir involuntariamente. Não conseguia me mexer, não conseguia falar. Perguntei-me onde estariam as lágrimas que demoravam tanto a aparecer. Sim, me pareciam cabíveis para completar tudo aquilo, uma vez que apenas meu inconsciente tentava entender o que se passava no momento.
Aos poucos tudo foi se normalizando, senti calmamente o ar voltar a entrar e sair dos pulmões, o coração voltando a seu ritmo, o tão angustiante nó se desfazendo pouco a pouco... Enfim, percebi que havia voltado a meu estado habitual... Conseguia distinguir vozes ao meu lado, reconheci o ambiente à minha volta. Vi uma menina no canto da sala, olhando fixo para mim. Mais á frente, um senhor sorria... Não lembro de tê-lo conhecido. Estendeu a mão á mim e sem nem mesmo sentir, eu estava caminhando para outro lugar. As lembranças se apagando pouco a pouco... Ainda não entendo o que aconteceu, não entendo porque aconteceu... Algumas vezes o mesmo senhor me olha com ternura e diz que meu tempo acabou e preciso aceitar. Por mais que tente, não me encontro. Não encontro nada. É só o vazio...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Minha Aquarela ...




Entre contos e canções inventei você pra mim
Como mais uma vaidade em meio a muitos outros defeitos
O meu par num retrato em branco no cantinho da estante
Um segredo trancado num baú sem cadeado
Uma música sem notas
A versão da verdade sem sentido
Uma mentira com enredo
Um desenho sem pinturas
Um rosto e mil faces
Seu sorriso e meus olhares
Um rabisco feito em um caderno velho
Sem capa,
Sem nome,
Sem descrições,
Sem detalhes,
Só você e nada mais.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Jardim...



Era noite. Alice saíra para uma caminhada no quarteirão, na tentativa de acalmar as lembranças que ocupavam sua mente sobre os últimos acontecimentos de sua vida. A morte recente do pai, a tristeza pela qual sua mãe passava todos os dias com a ausência do marido, o fim de seu casamento de quinze anos... Deus – Pensara consigo, Estou vivendo os piores meses de toda minha história.. Entretida nesses assuntos, já atravessava a rua quando de repente um grande clarão fez com que todos os seus pensamentos desaparecessem. Era como se estivesse caindo numa escuridão, perdendo pouco a pouco todos os sentidos...
Acordara em um lugar diferente, numa manhã de sol com um céu sem nuvens e uma brisa calma. Apesar de não ver sinal algum de outras pessoas, o lugar lhe proporcionava uma paz como nunca havia sentido antes.
Questionando-se onde estava e como fora parar ali, começou a andar observando todo espaço. Gostava de sentir o roçar da grama nos pés descalços. Árvores e pequenos cercados de flores completavam aquela perfeita sintonia de paraíso. Uma estranha sensação de felicidade tomava conta dentro de si, um contentamento por estar lá.Talvez ter aparecido ali, fosse um milagre.. uma chance.. Num súbito, deu-se conta do que acontecera. O clarão... O acidente. O velório. E o jardim.Porém, já não sentia mais angústia. Tampouco desespero. Entendeu que aquilo seria apenas o começo. Uma nova vida? Aliás... Vida? Agora compreendia o verdadeiro significado dela... Um misto de alegria com tristeza acrescentadas sempre as surpresas e descobrimentos, deixando a entender nas entrelinhas as cenas do próximo capítulo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Acordei com desejo de escrever ....



Inventar poesias sobre o que estou sentindo, arquitetar uma história sem nenhum significado ou um romance épico com leve toque de comédia culminando num final trágico. Falar de como tem sido a vida, tão corrida e atarefada com o trabalho. Derramar sobre o papel meus mais íntimos segredos, da forma mais escancarada, explícita. Registrar como nunca presto atenção ao ambiente em minha volta, o clima quente da primavera, o som do mar batendo contra as pedras e o cheiro da brisa marinha entrando pelas janelas e exalando por toda a casa. Deixo-me fascinar por toda essa mistura, me perco em um mundo imaginário onde o tempo passa devagar e me encontro sentada em um banco, com apenas papel e caneta escrevendo os meus devaneios diários. De repente saio desse transe e olho para a janela novamente com a imagem do mar e as pedras. Percebo que o tempo não está tão calmo assim, nuvens se aproximam anunciando chuva. Ocorre-me a idéia de discorrer fatos de minha existência nem sempre felizes, como traumas de infância, corações partidos na juventude, decepções na vida profissional, a perda de entes queridos... Ou melhor, descrever a tênue linha que separa a vida e a morte. Lembrar com saudade da época da inocência, um período de minha história que os sorrisos eram verdadeiros e malícia era só uma palavra e até então desconhecida. Pego a caneta rabisco algumas frases e de novo, volto a procurar a inspiração para quem sabe talvez, criar um relato que sirva como um modo de acalmar meus anseios, curar medos e crescer a esperança quase sempre esquecida, deixada em algum canto desse coração tão marcado, vivido...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

“E esse desenho nem o tempo apagará...”


Foi a última frase da carta. Um papelzinho amassado, agora manchado de lágrimas, que ela apertou contra o peito tentando abafar a dor que sentia. Um pedaço de folha de caderno com um escrito calando pra sempre aquele sentimento que um dia fora tão especial e marcante pra ela. Uma história que certamente não haverá sábio algum capaz de explicar. Cada momento, cada segundo, diálogos por muitas vezes cortados pelo silêncio de olhares e sorrisos mútuos. Em sua memória nem sempre foram farpas e no caminho nem sempre houveram espinhos... Nem todas as escolhas foram difíceis e nem todas as discussões tiveram fundamentos... Restava agora o vazio. Aquela “coisinha” incômoda chamada saudade. Aquele riso perdido e aquele pedacinho de papel...Com palavras frias, ditas sem rodeios, sem o calor do abraço, do afago, o gosto do beijo. Findando apenas em uma frase, nada mais.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Essa tal gazeta ...

Muitos devem se questionar a respeito da escolha do nome. Gazetas foram os primeiros jornais brasileiros, também chamados periódicos, que traziam temas específicos.
Como estudante de Jornalismo, pensei em um modo de juntar duas coisas numa só chamando a atenção real para diversos assuntos, mas com “um toque” da minha opinião e conhecimento cada dia mais adquirido.
"A primeira essência do jornalismo é saber o que se quer saber, a segunda é descobrir quem o vai dizer." (John Gunther).
Como o próprio autor da frase, tentarei aqui, mostrar a vocês caros amigos, o que na minha concepção pode ser o mais interessante de ler e divulgar, seja literário ou factual e irônico ou dramático.
Delicie-se. Use e abuse de tudo! Bem-vindos a minha Gazeta Pessoal.
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